sexta-feira, 27 de abril de 2012

A “chuva” não atrapalhou o espetáculo


Não tenho dúvida que abril é o mês da cultura no Amazonas. Muita gente acha que nosso Estado só tem o boi de Parintins, mas eu sempre digo para meus amigos de outros estados, se quiserem conhecer o Amazonas em um período de eferverscência cultural venham em abril. Sexta-feira passada foi a abertura do XVI Festival Amazonas de Ópera, com a ópera Lulu, a maior montagem deste ano, pela primeira vez no Brasil e cantada em alemão. Li em uma matéria ótima do repórter e amigo Jony Clay que tem uma chuva cênica na ópera, que ainda pretendo assistir neste fim de semana. Porém, na estreia da ópera I Puritani, que presenciei na quarta-feira passada, uma chuva nada artística me colocou um pouco pra baixo.

Eu toda empolgada, comprei os ingressos mais caros na plateia, nas cadeiras G02 e G04, bem no meio, e fui com minha mãe assistir a ópera de Vicenzo Belini no Teatro Amazonas. Qual não foi minha surpresa ao sentir pingos caindo na minha cabeça. “Meu Deus, está chovendo dentro do Teatro Amazonas!”. Mas não foi só em mim, o senhor que estava ao meu lado também reclamou. Tudo isso para piorar aquele frio de rachar na plateia do Teatro, para o qual realmente eu não fui muito bem preparada. Mas calma, as coisas sempre podem piorar e pioraram. No intervalo, fui até a cafeteria La Gioconda, que fica dentro do teatro, tomar um café para me esquentar. Acreditem, a cafeteria não tinha café, nem sequer água quente para fazer um chá. Eu e um monte de turistas - afinal o festival é predominado por eles - ficamos passados. Pra completar ainda mais a tragédia operística da falta de cuidado, infraestrutura e mão-de-obra especializada para o turismo no nosso Estado, presenciei a coitada de uma turista dinamarquesa tentando, com seu Português “Por favor -obrigado”, misturado com inglês, pedir um salgado de frango. O atendente dizia “Carne ou frango?”. E ela respondia “Chicken”. Foi preciso eu chegar e intervir: “Querido, chicken é frango, dá um salgado de frango pra ela!”. É claro, ela me agradeceu imensamente e começou a puxar conversa. Particularmente não acho que todo mundo tem que falar inglês, não gosto muito dessa língua, aprendi mesmo por necessidade, mas como dizem “Véio, na boa?”, o Teatro Amazonas é o maior ponto turístico do nosso Estado e precisa sim ter pessoas que pelo menos falem um inglês básico para atender os turistas. Fiquei com vergonha mesmo. Lembrei de uma matéria ótima da época que eu era subeditora de Cidades do A Crítica, quando os repórteres Victor Afonso e Mellanie Hasimoto se passaram por turistas, foram em diversos pontos de Manaus e constataram essa falha. Já faz mais de um ano e meio e o que mudou? Nada!

Mas tudo bem, espero sinceramente que consertem as goteiras do Teatro Amazonas; espero sinceramente que o atendimento em geral e não só ao turista mude e melhore na minha cidade. Mas tirando os problemas, no geral gostei da montagem de I Puritani desse XVI FAO. A soprano que interpretou a Elvira é ótima, muito segura, um show à parte. Não gostei muito do tenor que fez o Arthuro, voz extremamente anasalada, chata, mas não foi de todo seu mal. O cenário com partituras e notas musicais estava um espetáculo, era branco quando tudo ia bem e tornou-se negro quando a história ficou trágica, lindo demais. Os lustres lindos também. O coral do amazonas e a orquestra também impecáveis. Dá gosto de ver entre os integrantes vários artistas amazonenses participando de um espetáculo maravilhoso como este e fazendo bonito.

Perguntei à dinamarquesa, que devia ter no máximo 23 anos, o que ela tinha achado do espetáculo e ela respondeu que era a primeira vez que assistia a uma ópera. Ficou encantada e estava achando muito bonito. No final, acho que é isso que realmente importa. Críticas - sempre construtivas - à parte, com certeza a beleza da junção de todas as artes que só a ópera proporciona é muito maior que todo o resto. Espero que esse espetáculo continue encantando cada vez mais pessoas por anos e anos. E que fique cada vez melhor!

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